Dia 3 (15 de Agosto): Cuidado com o cão incontinente...

Novo dia em terras de sua majestade...

Depois da água a ferver, o nosso quarto reservou-nos mais uma surpresa. Tomadas à inglesa... com três buracos!

De facto, ao tentarmos recarregar as baterias dos nossos telemóveis e do portátil, verificamos que as tomadas inglesas têm três buracos, ou seja, são incompatíveis com as nossas (portuguesas) fichas.

Por outras palavras, lá tivemos que ir "chatear" novamente o senhor da recepção, pedindo um adaptador. A primeira tentativa saiu gorada (uma grande extenção que supostamente daria afinal estava "morta"...), mas o problema acabou por ser resolvido. Afinal, um dos buracos das tomadas inglesas é só para enfeitar, e os dois restantes (ligeiramente grandes para as fichas portuguesas) só precisam de um ligeiro incentivo - de uma chave de fendas - para ficar um pouco mais pequenos e acolherem as fichas tugas.

Planeamos um dia mais variado, com visitas a dois museus e ao teatro do Shakespeare (depois do episódio dos cereais, a Sofia nem desceu para ir tomar o pequeno almoço).

O nosso itinerário teve início na Clink Prison, muito perto da London Bridge. Trata-se de uma antiga prisão medieval, em poucas palavras, uma série de celas e modos macabros de torturar os prisioneiros. Muito interessante e simultâneamente sinistro.


De seguida, seguimos mesmo junto ao rio Tamisa até ao teatro do Shakespeare, mas as visitas tinham já terminado visto ir ter início uma peça (Romeu e Julieta) que tinha já a lotação esgotada.

Compramos bilhetes para a peça das 19h30 (Helena de Tróia), e regressamos pelo mesmo caminho até uma espécie de feira/mercado onde almoçamos.

Trata-se de uma espécie de mercado alimentar ao ar livre (por debaixo de uma linha de comboio). As cores e cheiros penetraram abundantemente pelos nossos olhos e narizes, sendo incrível o número de pessoas que se apinhavam em redor das bancas improvisadas de comida de todo o mundo.

Algumas bancas vendiam produtos alimentares (imensos queijos, por exemplo, alguns dos quais gigantes) e outras comida já confeccionada. Estas últimas bancas representavam dezenas de países, com os respectivos pratos tradicionais. Um dos mais curiosos (não sabemos bem de que país seria) consistia em derreter um gigantesco queijo com uma espécie de maçarico, e depois colocar o queijo derretido sobre alguns alimentos, batatas, pickles, etc. Era estranho mas tinha bom aspecto. Já das ostras, comidas cruas numa banca oriental, não se pode dizer o mesmo...

Já almoçados, fomos visitar o impressionante museu da experiência britânica na II Guerra Mundial. Na mesma rua, situam-se duas casas do terror enormes, uma das quais tinha filas de centenas de pessoas (crianças de 4 e 5 anos inclusive).

Uma das últimas pessoas da fila era uma senhora que aparentemente fazia 50 anos (tinha um balão a dizer 50º aniversário) e ia passar o dia com uma amiga numa masmorra cheia de monstros e afins...
Mesmo o exterior da casa do terror era horripilante, com diversos actores cheios de sangue a fazerem publicidade.

Se as filas eram enormes no The London Dungeon, nem existiam no museu British War Experience.

Ainda assim, o museu é excelente, e recria muito bem a Londres da II Guerra Mundial, cidade constantemente bombardeada pelos nazis. Sobretudo a parte final do museu é impressionante, estando a simulação de um bombardeamento (ruas destruídas e cadáveres dos destroços) muito bem feita.


Sendo ainda 16h30, ocupamos o tempo até ao início da peça de teatro com um passeio à beira-rio até à Tower Brigde, uma ponte muito bonita.

Estávamos sentados num relvado quando vimos dois pequenos e cómicos cães a fixar estáticos um casal que estava a comer alguma coisa. Repetiram o mesmo junto de outras pessoas, até que, fartos por ninguém lhes dar comida, resolveram urinar numa mala de uma senhora que estava sentada perto de nós. A mulher deu um grito quando viu, e toda a gente riu em redor.


Seguimos ainda a rir na direcção do teatro. A réplica do teatro original (1599) onde as peças escritas pelo então vivo Shakespeare eram representadas (só por homens, não havia mulheres mesmo nos papeis femininos) é muito gira, toda em madeira, e faz-nos mesmo recuar no tempo.

A peça propriamente dita foi igualmente muito interessante, sendo os actores e a cenografia impecáveis. Mesmo no início da peça, um homem de fato branco colocou-se mesmo ao nosso lado (estávamos na plateia em pé). Estava descalço, e tinha os sapatos na mão. Achámos estranho mas enfim, Londres está cheia de espécimes estranhos.


A certa altura, já a peça decorria há 30 minutos ou mais, começou a cantar com uma voz muito aguda tipo opera. Afinal, tratava-se de um actor, ou melhor de um cantor (tenor) que entrava na peça. Muito fixe.

Regressamos então ao hotel, onde chegámos já depois das 22 horas.

Beijinhos e abraços,

Ana Sofia e Alcides Miguel

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